Emirates e Lufthansa rejeitam primeiros Boeing 777-9 do programa
Emirates e Lufthansa não estão abandonando o Boeing 777-9, mas contestam a aceitação de alguns dos primeiros exemplares produzidos para o programa. Esses aviões foram montados antes que a configuração definitiva de certificação fosse concluída e, após anos de atrasos, precisariam passar por uma ampla incorporação de mudanças de engenharia, software e sistemas. O impasse envolve custos de modernização, tempo adicional até a entrega e perda de valor comercial das aeronaves que permaneceram armazenadas sem gerar receita.
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- Fonte
- Air Data News
- Data
- 9 de agosto de 2026 às 23:21 UTC
- Categoria
- Fabricantes e Industria (IND)
- Maturidade
- Materia
- Geolocalização editorial
- Everett, Washington, EUA · 47.9790, -122.2021

Emirates e Lufthansa não estão abandonando o Boeing 777-9, mas contestam a aceitação de alguns dos primeiros exemplares produzidos para o programa. Esses aviões foram montados antes que a configuração definitiva de certificação fosse concluída e, após anos de atrasos, precisariam passar por uma ampla incorporação de mudanças de engenharia, software e sistemas. O impasse envolve custos de modernização, tempo adicional até a entrega e perda de valor comercial das aeronaves que permaneceram armazenadas sem gerar receita.
A Emirates já informou que não pretende receber seus dez primeiros 777-9. Segundo a posição atribuída ao presidente da companhia, Sir Tim Clark, esses aviões chegariam com idade elevada e ainda demandariam anos de retrabalho para atingir o padrão considerado adequado. A avaliação da empresa é que não faria sentido aceitar aeronaves antigas, paradas por longo período e sujeitas a reformas extensas, sem uma compensação financeira significativa por parte da Boeing.
O problema não está apenas na idade cronológica dos jatos. Os exemplares foram construídos em uma fase na qual o programa ainda seguia premissas anteriores de projeto e certificação. Como a configuração final foi alterada ao longo dos atrasos, os aviões armazenados ficaram diferentes do padrão de produção mais recente. Para entregá-los, a Boeing precisa organizar uma linha específica de incorporação de mudanças, processo que pode envolver intervenções em sistemas, software e outros componentes antes que as aeronaves possam ser certificadas e colocadas em serviço.
A frota afetada inclui cerca de 30 aeronaves antigas mantidas em armazenamento, dentro de um lote inicial de 39 jatos que permaneceram em Everett, no estado de Washington, depois que a produção foi suspensa em 2022 em razão dos atrasos de certificação junto à Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos. O prolongamento do programa fez com que esses aviões envelhecessem antes da entrega. A situação altera sua economia: além de não terem produzido receita durante o período armazenado, eles exigem investimentos adicionais e podem ter valor residual muito inferior ao de aeronaves novas.
Clark chegou a sugerir que alguns desses aviões poderiam valer apenas cerca de US$ 10 milhões, caso fossem considerados em sua condição atual. Ele também indicou que a Boeing teria de assumir parte ou a totalidade do custo de atualização, pois os jatos não seriam comercialmente viáveis sem uma desvalorização expressiva. A preocupação da Emirates, portanto, combina o preço do retrabalho com o risco de incorporar à frota aeronaves que já perderam valor antes mesmo de iniciar as operações.
A Lufthansa adota uma abordagem semelhante, mas trata seus primeiros 777-9 individualmente. A companhia pretende recusar os exemplares em pior condição e aceitar apenas aqueles que possam ser modernizados de forma suficiente, com concessões financeiras negociadas com a Boeing. Para a empresa alemã, os novos widebodies são importantes sobretudo para substituir aeronaves antigas, e não apenas para ampliar a frota. Isso aumenta a sensibilidade ao tempo de entrega, ao custo de adaptação e à confiabilidade do padrão recebido.
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