WB-57 da NASA prolonga observação de eclipse sobre a Islândia
Um avião de pesquisa WB-57 da NASA acompanhou a sombra da Lua sobre a Islândia durante um eclipse solar total para ampliar o período de observação da coroa solar. A aeronave voou a aproximadamente 15.200 metros de altitude e a 740 km/h, permanecendo alinhada com o deslocamento da sombra lunar. Com essa estratégia, os cientistas puderam observar a totalidade por quase três minutos, enquanto, em solo, a duração máxima prevista era de dois minutos e 18 segundos. O tempo adicional é relevante porque permite registrar mudanças rápidas na atmosfera externa do Sol, estruturas que poderiam não ser captadas em uma observação convencional e fixa.
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- Fonte
- AERO Magazine
- Data
- 13 de agosto de 2026 às 02:51 UTC
- Categoria
- Artigo Tecnico (TEC)
- Maturidade
- Materia
- Geolocalização editorial
- Islândia · 64.9631, -19.0208

Um avião de pesquisa WB-57 da NASA acompanhou a sombra da Lua sobre a Islândia durante um eclipse solar total para ampliar o período de observação da coroa solar. A aeronave voou a aproximadamente 15.200 metros de altitude e a 740 km/h, permanecendo alinhada com o deslocamento da sombra lunar. Com essa estratégia, os cientistas puderam observar a totalidade por quase três minutos, enquanto, em solo, a duração máxima prevista era de dois minutos e 18 segundos. O tempo adicional é relevante porque permite registrar mudanças rápidas na atmosfera externa do Sol, estruturas que poderiam não ser captadas em uma observação convencional e fixa.
O WB-57 transportou, instalado na região do nariz, um conjunto científico com quatro câmeras. Os equipamentos produzem cerca de 20 imagens por segundo e trabalham em diferentes faixas da luz visível e do infravermelho. Essa combinação permite acompanhar a evolução de estruturas da coroa com alta frequência e obter informações que complementam as imagens feitas a partir do solo. Durante a totalidade, quando a Lua bloqueia o disco solar, a coroa fica mais acessível à observação direta. O voo ao longo da trajetória da sombra transforma o deslocamento da aeronave em uma forma de estender a janela de coleta de dados de um fenômeno naturalmente breve.
A altitude operacional também tem função científica. Ao voar acima das nuvens e de grande parte do vapor d’água da atmosfera, o avião reduz interferências que podem prejudicar as imagens, como cobertura de nuvens, turbulência e absorção de determinados comprimentos de onda. Algumas faixas do infravermelho são parcialmente absorvidas antes de chegar a instrumentos instalados no solo; em maior altitude, essas limitações são reduzidas. A condição de voo pode produzir observações mais estáveis e ampliar a capacidade de análise de fenômenos que dependem de medições em diferentes regiões do espectro eletromagnético.
Entre os alvos da campanha estão as protuberâncias solares, os fluxos de material na coroa e a conexão dessa região com o vento solar. A coroa, embora esteja mais distante do núcleo do Sol, alcança temperaturas próximas de um milhão de graus Celsius, muito acima das observadas na superfície visível. A origem desse aquecimento continua sendo uma questão em aberto na física solar. Ondas magnéticas e pequenas liberações de energia chamadas nanoflares aparecem entre as hipóteses investigadas. As imagens e medições obtidas durante o eclipse podem ajudar a acompanhar estruturas e transformações associadas a esses processos, sem estabelecer, por si só, uma explicação definitiva.
A NASA já havia usado dois WB-57 em uma operação semelhante durante o eclipse total de 2017, nos Estados Unidos. Naquela campanha, as aeronaves registraram imagens rápidas da coroa e realizaram observações térmicas de Mercúrio. A plataforma também foi empregada no eclipse de abril de 2024. Para a campanha de 2026, a configuração básica foi mantida, mas as câmeras e o processamento dos dados receberam ajustes. Os tempos de exposição foram revisados para evitar a saturação de estruturas mais brilhantes, uma limitação identificada em parte das imagens anteriores. A necessidade de adaptações decorre também do fato de que cada eclipse ocorre sob uma configuração diferente de atividade e de campos magnéticos solares. A faixa de totalidade atravessou o norte da Rússia, a Groenlândia, a Islândia, o Atlântico, a Espanha e uma pequena área de Portugal, enquanto outras regiões do Hemisfério Norte observaram apenas a fase parcial.
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